Pode sempre perder-se mais um minuto quando já se perdeu uma vida. Alinhava-se mais um pensamento à margem da verificabilidade. Emoção, portanto.
Para cada passo um registo diferente. Uma ideia de vida interior, como se se pudessem compartimentar as divisórias amovíveis da viva. Talvez apenas me interessem as imagens vagamente invisíveis. Como aos gatos. Movimentos interiores. Os tais de que me fala a nathalie sarrault.
O mundo integra todos os modelos. Digere-os e transforma-os, primeiro em excrementos, depois em flores. Ou o contrário. Para o caso tanto faz. O que interessa, embora não tenha interesse a não ser para o próprio, é o movimento interior. E aí tenho alguns pontos de vantagem. Acumulados num cartão.
O luiz pacheco morreu. Nenhuma alma terá paz no céu. É inegável que ele terá ido para lá desinquietar as almas penadas, finalmente livre de um corpo pesado e exigente, embrulhado numa bandeira vermelha. Mas não se pode curar o mal que está feito, por que ele se reproduz por si próprio. Bactéria que come a bactéria que mata a bactéria que pisa a bactéria que cospe na bactéria que sonha a bactéria que ouve a bactéria que vê a bactéria que, finalmente, escreve sobre a bactéria que lê.
Passamos a vida a inventar pretextos para não inventar pretextos. Uma espécie de lei do maior esforço, disfarçada de boa vontade, de boas intenções, quando tudo não passa de um estômago bem cheio, de um apetite saciado, de um horizonte suficientemente mágico, com conforto que chegue para inventar filosofias.
Há que dar razão à razão mas não a expor demasiado ao sol. Questões de conservação. Não me recordava da palavra: tropismos. Era assim que ela dizia. Claro que se prefere o tropicalismo ao tropismo. Mesmo que seja uma questão adormecida, placada pelo movimento de um corpo cheio de energia conquistadora. Que conquistareis agora que já se sabe que não se poderá saber tudo? Fala-se, portanto, do desespero da esperança. Não é um lugar de partida, é um lugar de chegada. E um lugar de chegada é um lugar de morte.
Hoje é um dia bom para acabar de vez com isso. A morte vem aos poucos. Vão-se acumulando os lugares de chegada. Há um momento na infância em que se nos remove o primeiro afecto. A primeira catástrofe do ultra-violeta. Depois vai acontecendo, como a pele morta que se vai soltando. Não vou perder mais tempo a ler novas ficções literárias. As histórias que já tenho aconchegam-me.

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